Ghislaine Maxwell Declara-se Inocente Nas Acusações Ligadas Ao Caso de Epstein

Esta defende que «não teve qualquer envolvimento ou conhecimento da alegada má conduta» do companheiro. Por: Inês Aparício Imagens: © Youtube Netflix.

Menos de duas semanas desde a sua detenção, Ghislaine Maxwell apresentou-se esta terça-feira, 14 de julho, numa audiência no tribunal federal de Manhattan (de acordo com a BBC, via videochamada). Nesta, declarou-se inocente das acusações de tráfico de menores e incitação à prostituição, ligadas ao caso de alegados abusos sexuais de menores perpetrados por Jeffrey Epstein, que se terá suicidado na prisão de Nova Iorque, onde aguardava julgamento.

A suposta companheira e colaboradora do milionário – que terá ajudado a recrutar jovens raparigas para a mansão de Epstein, na qual estas seriam abusadas sexualmente, não só pelo próprio, como por outros magnatas, numa rede de tráfico que teria começado há 25 anos – ter-se-á mostrado «de forma de delicada e bem-educada» ao juíz, descreve a Bloomberg. Quando a acusação se referiu a esta enquanto «predadora», a britânica de 58 anos manteve-se, segundo o mesmo órgão de comunicação, «impassível».

Na mesma audiência, os advogados da filha de Robert Maxwell, antigo magnata da comunicação social, procuraram ainda obter uma fiança para que esta saísse da prisão em Brooklyn, onde está agora detida. De acordo com a CNN, os advogados terão oferecido garantias de até $5 milhões (cerca de €4,3 milhões), de modo a que esta pudesse ficar em casa, ainda que com pulseira eletrónica. Estes alegaram existir «um baixo risco de fuga», uma vez que Maxwell nunca terá deixado os Estados Unidos desde a detenção de Jeffrey Epstein, em julho do ano passado, e que poderá ser infetada pelo novo coronavírus. Na prisão em que se encontra, foram registados 55 casos de reclusos e funcionários que contraíram o vírus.

Contudo, a acusação procurou provar o contrário, salientando a riqueza e vasta rede de contactos que lhe permitiria sair facilmente dos EUA. A procuradora federal, Audrey Strauss, acabou por ouvi-la, não aprovando o pedido, depois de notar que a britânica apresenta um «risco extremo de fuga».

Acusações

Foi no início deste mês, a 2 de julho, que as autoridades anunciaram a detenção de Ghislaine Maxwell. Esta está indiciada, como avança o Público, por quatro crimes de aliciamento de menores para a rede de tráfico e abuso sexual organizada por Epstein e dois crimes de perjúrio pelos testemunhos referentes ao seu papel nos alegados abusos. Esta terá ajudado a «recrutar, aliciar e, em último caso, abusar» menores do género feminino, entre 1994 e 1997, adicionou o USA Today.

Segundo Dan Kaiser, advogado de uma das presumíveis vítimas de Epstein, em declarações ao The Guardian, a arguida terá «concedido serviços administrativos relevantes no que à contratação de recrutas e gestão desses funcionários diz respeito, assim como na marcação das sessões e datas das interações entre Epstein e as menores que lhe providenciaram serviços sexuais».

Ghislaine Maxwell defende que «não teve qualquer envolvimento ou conhecimento da alegada má conduta» do companheiro.

Momento da detenção

Ainda que os advogados avancem que a socialite nunca tenha saído dos Estados Unidos desde a detenção de Jeffrey Epstein, não era conhecida a localização exata desta. Apenas no início deste mês é que foi encontrada, numa propriedade isolada no estado de New Hampshire, «onde vivia uma vida de privilégio, enquanto as suas vítimas viviam o trauma que esta lhes causara há vários anos», mencionou Bill Sweeney, diretor assistente do posto de Nova Iorque do FBI, ao The Daily Beast.

Quando os agentes apareceram na mansão, esta ter-se-á recusado a abrir a porta. «A partir de uma janela, os agentes viram a arguida a ignorar as direções para abrir a porta e, em vez disso, tentou dirigir-se para outra divisão da casa, fechando rapidamente a porta atrás dela», escreve o USA Today. Posteriormente, esta foi encontrada num dos quartos, assim como um telemóvel embrulhado em alumínio, «aparentemente para evitar a sua deteção».

O julgamento será, segundo o Independent, a 12 de julho do próximo ano. Caso seja condenada, pode ter de cumprir uma pena de prisão até 35 anos.