Fred Perry Pára de Vender Pólos Por Associação a Grupo Extremista

A marca decidiu interromper a comercialização de um dos seus modelos nos Estados Unidos e Canadá. Por: Inês Aparício Imagens: © D. R.

A declaração da Fred Perry é clara e direta: «não apoiamos e não estamos de qualquer forma associados aos Proud Boys», escreveu a marca em comunicado, depois de ver um dos seus modelos mais icónicos ser utilizado pela organização de extrema-direita. Mas não se ficou por aqui. De modo a garantir que a ligação a este grupo é completamente posta de parte, a insígnia decidiu interromper as vendas do seu pólo preto e amarelo nos Estados Unidos e Canadá até «se sentirem satisfeitos com o fim da conexão com os Proud Boys».

Como lembra a Fred Perry, a peça representa, desde a sua introdução na década de 70, «inclusividade, diversividade e independência», pelo que esta apropriação se torna «incrivelmente frustrante». «Apesar da sua origem, temos visto a camisola preta/amarela/amarela de fileira dupla refletir um novo e muito diferente significado na América do Norte, enquanto resultado da sua associação com os Proud Boys. Essa ligação é algo para o qual devemos fazer o nosso melhor para terminar», notou.

Deste modo, a marca decidiu envolver a justiça, estando a trabalhar em conjunto com os seus advogados «para perseguir qualquer uso ilegal» da marca. «Para ser absolutamente claro, caso veja algum material ou produtos dos Proud Boys com a nossa coroa de louros ou qualquer item preto/amarelo relacionado, estes não têm absolutamente nada a ver connosco», concluiu.

Um novo caso

Esta não é a primeira vez que a marca sente a necessidade de se afastar de uma ideologia extremista. Já em 2017, o presidente, John Flynn, declarou publicamente ser contra a visão destes grupos de extrema-direita. «Fred [Perry] era filho de um deputado socialista da classe trabalhadora que se tornou campeão mundial de ténis numa altura em que o ténis era um desporto elitista. Ele deu início a um negócio com um empresário judeu da Europa de Leste. É uma pena que tenhamos, mesmo assim, de responder a perguntas como esta. Não, não apoiamos os ideais ou o grupo de que fala. É contra as nossas crenças e as pessoas com quem trabalhamos», recuperou a marca.

Os Proud Boys

Apesar de a organização insistir não ser de extrema-direita ou nacionalista, o FBI classificou-a, já em 2018, como um «grupo extremista». Esta ideia foi corroborada pelo Southern Poverty Law Center, uma associação norte-americana sem fins lucrativos, que a identifica como «grupo de ódio».

O passado fim de semana ficou marcado pela organização de um comício a favor da reeleição de Donald Trump, em Portland, pelas mãos dos Proud Boys, salienta o The Guardian.