Estudo Mostra Que Mais Mulheres Se Sentaram Na Cadeira de Realização em 2020

No entanto, apenas 16% dos 100 filmes mais lucrativos tiveram uma mulher como realizadora. Por: Ana Margarida Fernandes Imagens: © D. R.

Nos últimos anos, a igualdade de género tem sido um assunto cada vez mais debatido e, em Hollywood, isso não é exceção, devido ao elevado número de papéis ocupados por homens à frente e atrás das câmaras. No entanto, o número de mulheres presentes na indústria parece estar a aumentar. De acordo com um novo relatório, realizado pelo centro para o estudo de mulheres na televisão e cinema da Universidade de San Diego, 2020 foi o ano em que existiram mais filmes realizados pelo género feminino. Contudo, dos 100 filmes mais lucrativos, apenas 16% tiveram mulheres sentadas na cadeira da realização, uma contínua subida face aos 12% registados em 2019 e aos 4% em 2018.

Números ainda baixos

Apesar de isto demonstrar uma tendência crescente deste número, ainda existe um longo caminho a percorrer. O relatório do Celluloid Ceiling, publicado anualmente há já duas décadas, realça também o facto de apenas 21% de todos os realizadores, guionistas, produtores e editores cinematográficos a trabalhar nos 100 melhores filmes do último ano serem mulheres (um aumento de 1% face a 2019). 67% dos filmes, em 2020, empregavam entre zero a quatro mulheres em posições de topo atrás das câmaras, enquanto 70% empregava entre dez ou mais homens nos mesmos cargos.

«Esta desigualdade é impressionante», comentou a Dr. Martha Lauzen, responsável por este estudo, em entrevista à Variety. «As boas notícias é que assistimos a dois anos consecutivos de um aumento no número de mulheres como diretoras», acrescentou. «Isto quebra um recente padrão histórico, no qual os números sobem num ano, mas descem no ano seguinte. As más notícias é que 80% dos filmes mais bem-sucedidos ainda não têm uma mulher no comando», referiu.

Obviamente que, com o aparecimento da covid-19, o ano de 2020 foi diferente para todas as pessoas em Hollywood. Apesar do seu aclamado filme, Nomadland, ter sido lançado no ano passado, Chloé Zhao viu a sua produção da Marvel, Eternals, adiada para 2021, tal como outra película do mesmo estúdio realizado por Cate Shortland. O estudo teve em conta as interrupções causadas pela pandemia ao analisar também o número de mulheres a trabalhar em filmes que fizeram parte da lista dos 20 filmes mais vistos em casa. Desses, apenas 19% dos membros da equipa eram do sexo feminino.

Chamadas de atenção

No último ano, esta desigualdade foi também notada nos Óscares, depois de ser anunciado que as nomeações para melhor realizador eram constituídas exclusivamente por homens. Este acontecimento levou a que um número de realizadoras femininas, incluindo Greta Gerwig, chamassem a atenção da indústria para a falta de diversidade no cinema. Natalie Portman, por exemplo, apareceu na cerimónia, realizada em fevereiro, numa capa com o nome de realizadoras que não foram consideradas para a distinção.