2019 Foi o Ano Com o Maior Número de Filmes Protagonizados Por Mulheres

Ainda assim, comparativamente com o ano anterior, as personagens femininas tiveram menos diálogos. Por: Inês Aparício Imagens: © D. R.

As chamadas de atenção para a falta de representatividade de género, na última edição dos Globos de Ouro, fizeram-se ouvir quando a lista foi revelada. Uns atreveram-se a afirmar que a escolha da academia era injusta, uma vez que existiam vários nomes que não deveriam ter ficado de fora, num ano em que diversas mulheres fizeram parte de filmes aplaudidos pela crítica. Porque, sim, de acordo com um estudo levado a cabo pela San Diego State University, em 2019 existiram efetivamente mais figuras do sexo feminino por onde escolher.

Segundo o It’s a Man’s (Celluloid) World, foi de 9% o aumento de películas mais rentáveis protagonizadas por mulheres, de 2018 para o ano passado. Deste modo, a percentagem de filmes com mulheres protagonistas (os investigadores definem este termo como uma «personagem cuja perspetiva dá forma à história») «atingiu um valor histórico», de 40%. Ainda assim, foi inferior ao valor percentual de filmes cujos protagonistas são homens, 43%. Os restantes, 17%, foram conduzidos por um conjunto de personagens ou combinação de ambos os géneros, como em Marriage Story.

Menos diálogos para as mulheres

Apesar de mais mulheres a liderar narrativas, a quantidade de diálogos destas diminuiu em 2019, comparativamente com o ano anterior. As figuras femininas deram vida a 34% das personagens com falas, menos um ponto percentual em relação a 2018 (35%). Ainda que a diferença possa não ser muito notória, continua a contribuir para a existência de um contraste abismal entre géneros.

Depois de notadas (e criticadas) as reduzidas falas de Margot Robbie e Anna Paquin em Once Upon a Time in Hollywood e The Irishman, respetivamente, este estudo veio, agora, prová-lo. Dois terços (66%) das personagens com diálogos, nos filmes mais vistos, são homens.

Menos diversidade cultural no ecrã

Também no que à etnia diz respeito, as diferenças são notórias. De acordo com esta investigação, que acredita ser «a mais abrangente» disponível, ao abarcar 22 anos de história do cinema, 68% das personagens femininas foram, em 2019, caucasianas. Este valor aumentou 3% desde 2018. Por oposição, a percentagem de mulheres negras no ecrã foi de 20%, enquanto as asiáticas 7% e as latinas 5% (menos 3% desde 2018, mas igual ao valor atingido no ano anterior).