OMS Alerta Para o «Cansaço da Pandemia», Que Já Afeta 60% da População

Ainda assim, a Organização Mundial da Saúde lembra que não podemos baixar a guarda. Por: Inês Aparício Imagens: © Gtresonline.

Foi já há mais de sete meses que a nossa vida mudou tão radicalmente. Bem sabemos que parecem, na verdade, sete milhões de anos, e que o tempo em que trabalhamos de casa, limitamos os nossos encontros com amigos e familiares, reduzimos as saídas ao essencial ou incluímos a máscara e o desinfetante ao conjunto de objetos obrigatórios na carteira parece nunca mais acabar. Mas esta sensação é explicada pela Organização Mundial da Saúde com um conceito: «cansaço da pandemia».

Este «sentimento de sobrecarga, por nos mantermos constantemente vigilantes, e de cansaço, por obedecermos a restrições e alterações na nossa vida» atinge já, de acordo com a OMS, 60% da população. E é fácil perceber porquê. O constante estado de ansiedade e de redobrada atenção a tudo o que nos rodeia – seja tentando acompanhar as novas medidas anunciadas pelo governo e os conselhos das autoridades de saúde, seja distinguindo a informação da desinformação – mantém-nos alerta 24/7 e parece, assim, que nunca descansamos verdadeiramente.

Além disso, esta entidade apontada a «grande capacidade de adaptação» que nos foi exigida devido à crise pandémica como um fator para nos podermos «sentir menos motivados para seguir as orientações e os comportamentos de proteção, após tantos meses a viver com limitações, sacrifícios e incerteza».

Baixar a guarda

Num documento produzido pela Ordem dos Psicólogos Portugueses, é salientado que, depois do medo provocado pela reduzida informação existente acerca da covid-19 (ainda que, a cada dia que passa, esta vá crescendo, graças às centenas de profissionais de saúde e investidores unidos por esta causa), vem o cansaço. E «o cansaço pode provocar indiferença», vinca. «Devido à “fadiga da pandemia” a nossa percepção de risco relacionada com a COVID-19 pode diminuir. Já nos habituámos à existência do novo coronavírus e temos presente todas as dificuldades que resultam das medidas de proteção – para nós próprios e para a sociedade», pode ainda ler-se no mesmo texto.

Deste modo, adverte-se para um possível baixar da guarda (visto, por exemplo, nas imagens que nos chegaram na semana passada diretas da praia da Nazaré, onde dezenas de portugueses se juntaram para ver as ondas gigantes, sem qualquer cuidado com o distanciamento físico). «Apesar do cansaço, é altura de redobrar esforços para combater o vírus. Os nossos comportamentos são críticos para conter a sua propagação e para nos protegermos a nós e protegermos os outros», relembra a OMS. Por isso, mais do que nunca, devemos procurar resguardarmo-nos em casa sempre que possível, utilizar *corretamente* a máscara, lavar ou desinfetar frequentemente as mãos e distanciarmo-nos fisicamente dos outros.

Saúde mental em risco

Também neste estudo, a Organização Mundial da Saúde frisa as consequências da pandemia na saúde mental. «A crise pandémica e sócio-económica gera insegurança, medo e ansiedade acerca do presente e do futuro, podendo agravar ou conduzir a dificuldades e problemas de saúde psicológica», escreve, referindo-se a doenças como a depressão ou ansiedade. Aliás, a instituição estima que «entre 20% e 30% das pessoas sofram com o impacto psicológico da pandemia».