Campanha da Dior é Alvo de Críticas Por Falta de Diversidade

Em causa está um vídeo partilhado pela Maison para apresentar a linha de Alta Costura. Por: Vítor Rodrigues Machado Imagens: © D. R.

Um vídeo publicado nas redes sociais da Dior (que serve como uma espécie de mini-filme de campanha da coleção de Alta Costura de outono-inverno, apresentada recentemente) está a ser alvo de duras críticas por parte dos seguidores da página da marca francesa. Em causa, está a falta de diversidade no casting feito para o clip que, fazendo das peças desenhadas por Maria Grazia Chiuri para a linha, nos apresenta um mundo imaginário onde a mitologia grega ganha vida e onde apenas se podem encontrar modelos/atores caucasianos. (como pode ver, na versão curta, em baixo)

 

Ainda que a publicação tenha tido direito a alguns aplausos por parte de algumas personalidades, também foi alvo de a uma série de críticas por parte dos internautas, que não deixaram passar nada em branco:

«Oh uau … Mesmo tendo em conta o clima global e da luta pela igualdade, não há um modelo de cor nesta apresentação? Quão vergonhoso e cego (…) Acho bastante interessante que “Narciso” tenha sido artisticamente destacado na apresentação, porque é exatamente isso que esse sistema de centralização numa raça é: narcisismo racial coletivo. Neste ponto, é patológico. Por favor, coloquem alguns negros em posições de liderança e no nível executivo criativo e façam melhor», escreveu o utilizador @so_ra_ya_89.

Esta situação está a chamar de tal forma a atenção das pessoas que até a página Diet Prada lhe dedicou um publicação onde, apesar de apontar que, de facto, Chiuri tem conseguido trazer bastante diversidade para os seus desfiles (tanto através das modelos como das colaborações que faz), questiona a execução do vídeo de autoria de Matteo Garrone.

 

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Finding the lack of POC odd because Maria Grazia Chiuri’s @Dior shows are more diverse than this. Her last one featured over 30% models of color. This film with Matteo Garrone, an Italian male film director, is also outside her norm of collaborating with female creatives. In the past she’s worked with Chimamanda Ngozi Adichie, Judy Chicago, and Grace Wales Bonner, to name a few. Resort 2020 even featured textiles in collaboration with Uniwax, which toed the uncomfortable line between cultural appropriation and appreciation. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ In a statement from Dior, they reinforced Chiuri’s values of diversity and inclusion. What it also revealed is that the director was given full creative control. “For this specific film which was shot in and around Rome, the filmmaker Matteo Garrone wanted to explore and to revisit several Greek myths… [Garrone] was given free rein to celebrate this artistic richness,” the statement read. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Surely then, it was possible to honor Greek mythology and still cast people of color. Would it have been too revisionist? Tales of Ethiopia as a mythical land are recorded in Greek literature dating as early as the 8th century B.C., including the work of Homer. Several figures in Greek myths were also believed to be black, most notably Memnon, an Ethiopian warrior king whose skill was likened to Achilles. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Racism of course, is an entirely modern social construct. Frank Snowden, an emeritus Howard University classicist, said that “nothing comparable to the virulent color prejudice of modern times existed in the ancient world.” It goes without saying that antiquity is not immune to whitewashing and racist portrayals. In an article for Forbes, art historian Sarah Bond spoke frankly on the matter. “We have known for a long time that we have a diversity problem, and one way to address this might be to emphasize what an integral part people of color played within ancient Mediterranean history. But the onus is also on the media and fashioners of popular culture.” ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Dior’s statement also made no mention of logistical issues with bringing in talent of color, so what was really stopping them from reflecting their said values? #dior

Uma publicação compartilhada por Diet Prada ™ (@diet_prada) em

 

A resposta da Dior

Através de um comunicado partilhado pela página de Instagram @Diet_Prada, a marca partilhou a seguinte informação:

«Diversidade e inclusão são valores muito presentes no trabalho de Maria Grazia Chiuri. Desde que chegou à Dior, a Diretora Criativa das coleções femininas criou inúmeros diálogos entre diferentes culturas mundiais que celebra a sua riqueza, através de parcerias feitas com fotógrafos, artesãos, modelos e artistas… de todas as origens. De Marraquexe a Xangai, de Abidjan a Bombaim, de Lagos à Cidade do México (…) O casting feito para os desfiles e campanhas publicitárias da marca refletem essa pluralidade, que vai ao encontro daquilo que é a verdadeira essência criativa da Maison. Para este filme em específico, que foi gravado em Roma, o realizador Matteo Garrone queria explorar e revisitar vários mitos Gregos, como a Metamorfose de Ovídio, brilhantemente ilustrado por Bernini nos seus trabalhos, que fazem parte do esplendor da Villa Borghese. Ao Matteo Garrone foi lhe dada toda a liberdade para celebrar esta riqueza artística…»