Salário de Portuguesas Foi Particularmente Afetado Pela Pandemia

Esta é a conclusão de um estudo desenvolvido pela Organização Internacional do Trabalho. Por: Inês Aparício Imagens: © Christina-Wocintechchat.

Os longos meses vividos sob uma pandemia abriram espaço para uma crise económica que assombrou quase todos os setores. Porém, esta não afetou todos por igual. De acordo com o Relatório Global sobre os Salários 2020/2021, levado a cabo pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), as mulheres foram quem sentiu um maior impacto nos seus salários, devido às consequências da propagação do novo coronavírus. Este cenário é visível em especial na Europa, da qual Portugal se destaca negativamente ao apresentar as maiores perdas na massa salarial entre os 28 países europeus analisados.

Ainda que, como mostra o documento, ambos os géneros tenham sido amplamente afetados pela pandemia em território nacional, as mulheres viram os seus ordenados decrescer de forma mais acentuada. Nos primeiro e segundo trimestres deste ano, verificou-se uma queda de 16% nos salários do sexo feminino, enquanto se registou 11,4% no outro género. A Portugal, segue-se Espanha (menos 14,9% nos ordenados das mulheres e 11,3% dos homens), França (13,1% e 7,7%) e o Reino Unido (12,9% e 6,8%). Do outro lado do espetro, com reduções salariais baixas – sendo estas inferiores a 3% -, surgem a Croácia, Países Baixos, Suécia e Luxemburgo.

O porquê deste cenário

Este impacto desproporcional nas massas salariais dos géneros feminino e masculino terá sido «causada principalmente pela redução das horas de trabalho, mais do que pela diferença entre o número de lay-offs», além do elevado número de encerramentos de empresas e consequentes despedimentos, penalizando mais as mulheres, uma vez que estão sobrerrepresentadas nos setores mais afetados pela crise.

Pandemia veio perpetuar desigualdades de género

Não só ao nível económico, como emocional e da saúde mental, a pandemia veio acentuar o binómio mulher/homem. Divulgado já em outubro, o estudo Life with Corona avançava que o stress, em casa, afeta de modo desproporcional o sexo feminino. Independentemente do tamanho da família, «os níveis de tensão domiciliária» são superiores no caso das mulheres, face aos seus pares, notando-se um aumento em lares com três membros ou mais.