O Primeiro Dia de Desfiles da ModaLisboa Fez-se de Partilhas Sem Género

A Hibu foi a grande surpresa do dia. Por: Margarida Brito Paes -- Imagens: © ModaLisboa

O novo espaço em que se instalou a ModaLisboa fica no Campo de Santa Clara. É nas Antigas Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento do Exército que se refugiou a moda portuguesa, e só levanta arraias de lá no domingo, 13 de outubro. O primeiro dia de desfiles começou já se adivinhava a noite, passava pouco das 18h quando se entrou na sala de desfiles para assistir à primeira fase do concurso Sangue Novo.

Na sala de desfiles uma enorme passerelle intercetada por uma abertura na parede e no fundo um enorme ecrã gigante. Um cenário bem diferente daqueles que têm sido apresentados pela ModaLisboa nas últimas estações no Pavilhão Carlos Lopes. Como é já tradicional no calendário, as honras foram feitas pelos jovens designers do concurso Sangue Novo. Esta foi a primeira parte do concurso, que terá a final na próxima estação. Apresentaram coleções 10 designers, dos quais seis foram selecionados para a final. Os finalistas nomeados foram: Francisco Pereira, Louis Appelmans, Flávia Brito, Inês Manuel Baptista, Filipe Cerejo e Cêlá.

Hibu

O melhor desfile deste dia de ModaLisboa

O dia ficou marcado pelo regresso da Hibu ao palco da ModaLisboa, onde tudo começou com o Sangue Novo há sete anos. Mas muita coisa mudou até este regresso, Marta Gonçalves é agora uma designer a solo, coisa que não acontecia no início, e a própria marca está diferente depois de uma pausa de três anos.

«Fiz uma paragem de três anos, porque achava que precisava mesmo de parar para dar o passo seguinte. Fazer desfile, atrás de desfile, de seis em seis meses, é um processo muito difícil, e só tinha oportunidade de desenvolver protótipos, e eu precisava de trabalhar mais na parte comercial. Tinha de ter tempo para perceber o que poderia fazer daqui para a frente, para isto se tornar mais a sério» explicou Marta Gonçalves à ELLE, depois do desfile. A designer adiantou ainda que algumas das peças que foram apresentadas nesta coleção vão estar à venda muito brevemente na loja online da Hibu. 

Esta é uma estratégia que a marca irá manter daqui para frente, tendo de desenvolver, por isso, coleções que não sejam abaladas pela meteorologia. Outra das ideias de Marta é ter algumas peças icónicas da marca, que possam ir sendo reinventadas estação após estação. Esta coleção, foi precisamente o lançamento de muitos desses básicos que a Hibu irá reinventar, possivelmente a várias mãos, daqui para a frente. Por isso é natural que voltemos a ver as calças perfeitamente cortadas e pespontadas, bem como os casacos e as sweatshirts, reinventadas noutras formas.

«Esta coleção foi uma coleção de básicos, o que eu intenciono, não em todas as peças mas em algumas, é que sejam recriadas com materiais diferentes. Esse é um objetivo que eu tenho daqui para a frente. Por isso posso agarrar em alguns dos básicos e fazer parcerias com artistas. Por exemplo, fazer um print especial para as t-hirts e sweatshirts e fazer uma coleção».

O desfile Hibu

Este desfile não era para ser um desfile, na verdade, nem era para fazer para do calendário da ModaLisboa, mas ia acontecer de qualquer forma ainda que de maneira independente. Mas então, o Universo fez magia, e a ModaLisboa convidou Marta Gonçalves a apresentar no palco onde tudo tinha começado. Não havia forma de dizer que não.  Por isso, o que era para ser uma performance no espaço largo, teve de ser adaptado à longa passerelle do espaço LAB da Modalisboa.

No início quando começaram a desfilar os maravilhosos tie dye em tons de preto, nada fazia adivinhar o que se seguia. Do nada levantaram-se da primeira fila várias pessoas. Em pé começaram a despir-se  e a vestir a roupa Hibu que lhes tinha sido deixada num saco branco pelos modelos anteriores. Como se não fosse surpresa, e corpos em roupa interior que chegassem, as trocas de roupa continuaram. Depois de desfilarem, frente a frente, raparigas e rapazes trocaram de roupa. Uma demostração clara, e inteligente, de que as peças da Hibu são versáteis, já que podem ser usadas de diversas forma – um dos folhos das saias, por exemplo, foi depois usado como carteira – e que são, efetivamente, unissexo.

Awaytomars

Quando Marte se transforma em Tropicalia

O encerramento do primeiro dia de desfiles coube a Awaytomars. A dupla foi beber inspiração ao que supúnhamos que seria a vida em Marte, e que agora sabemos que não é verdade. Marte na cabeça da dupla de designers que faz a Awaytomars, assemelha-se em muito ao Caribe. Com cores vibrantes, padrões e uma leveza típica dos países quentes. O grande destaque da coleção foi para os tratamentos e tingimentos dos tecidos, e claro, para a sua assinatura que são as costuras diagonais.

«Todos os vestidos de malha que têm degradé foram feitos à mão. É um processo que demora entre sete e dez dias, porque é tingido uma vez seca, depois é outra vez tingido, e assim consecutivamente até ficar com aquele degradé. A ganga também um processo manual, é um denim normal, depois leva uma lavagem e depois é aplicado o spray em cima para fazer o efeito de reflexo», explicou Alfredo Orobio à ELLE.

Awaytomars x Harvey Nichols

Na realidade os degradés e alguns dos padrões vieram da coleção Chasing Cloudes que é um projeto colaborativo que foi lançado em setembro em paraceria com a Harvey Nichols e a The Woolmark Company. Esta coleção cápsula que foi integrada e desenvolvida na coleção principal, já está à venda no site da marca e em exclusivo na Harvey Nichols. Esta foi uma iniciativa que teve um processo completamente transparente sendo possível verificar cada fornecedor e fábrica que foram utilizados no processo de criação das peças.

Apresentaram ainda coleções no primeiro dia de desfiles Valentim Quaresma e Stoners.