Deputadas Polacas Vestem-se Com Todas As Cores Do Arco-Íris Em Protesto LGBTQI

Estas fizeram questão de se mostrar contra a retórica homofóbica do presidente, Andrzej Duda. Por: Inês Aparício Imagem: © GTRESONLINE.

Vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta formam, não só um arco-íris, como a bandeira LGBTQI. E foram estas as cores que os membros do parlamento polaco vestiram durante a cerimónia de tomada de posse do presidente, Andrzej Duda, enquanto forma de apoio à comunidade, fortemente atingida pela retórica considerada homofóbica do líder do país, e em protesto contra a posição do dirigente político face às questões de direitos humanos.

As deputadas – que pertencem ao partido de esquerda, Polska Lewica – sentaram-se nas cadeiras da Assembleia, umas atrás das outras, formando um arco-íris com as suas peças coloridas. Além disso, escolheram máscaras com os mesmos tons deste elemento da natureza, enquanto ouviam o dirigente da Polónia, reeleito, no mês passado, para um segundo mandato de cinco anos, com 51% das intenções de voto.

«Queremos lembrar o presidente Andrzej Duda que, na constituição, existe uma garantia de igualdade para todos», declarou Anna Maria Zukowska, membro do partido da oposição, em entrevista à Reuters. «Não queremos uma situação similar, durante o novo mandato, à da sua campanha, altura em que o presidente desumanizou as pessoas da comunidade LGBTQI, ao negar-lhes o seu direito de ser pessoas», adicionou.

 

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A retórica anti-LGBTQI de Duda

O dirigente político, um independente aliado do Partido da Justiça e Desenvolvimento (PiS) – que recusa os direitos da comunidade LGBTQI e a considera uma influência estrangeira desenvolvida para minar os valores tradicionais da Polónia -, procurou, durante a sua campanha, reiterar a sua posição relativa às questões focadas na identidade e orientação sexual dos indivíduos. Nesta, para a qual mobilizou a sua base conservadora, chegou mesmo a comparar a «ideologia LGBT» ao comunismo e garantiu que fará de tudo para que escolas públicas sejam proibidas de discutir os direitos destas pessoas, lembrou a Reuters.

«Respeito todas as pessoas, mas não permitirei a ideologização das crianças, porque é essa a minha responsabilidade para com a Polónia e a juventude polaca», asseverou Duda, num comício na localidade de Brzeg, no sudoeste do país, no início de junho. Este salientou ainda que a geração dos seus pais não lutou durante décadas «para expulsar a ideologia comunista das escolas» para que agora seja aceite «a chegada de uma nova ideologia, ainda mais destrutiva». Além disso, admitiu concordar com a perspetiva de outro político conservador, que dissera que os homossexuais, bissexuais e transgénero «não são pessoas, mas uma ideologia», escreveu a Euronews.

Todavia, Andrzej Duda não se fica pelas palavras. O Presidente da Polónia avançou ainda com uma série de propostas «pró-família», de entre as quais o impedimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo – que, de momento, é ainda ilegal – e a proibição da adoção de crianças por parte de casais gays, notou a BBC.

Estas ideias conservadoras foram reiteradas no seu discurso de tomada de posse. «A família é a pedra basilar da sociedade, o nosso bem mais precioso», frisou.

Zonas «livres de ideologia LGBTQI»

Já em março, o International Observatory of Human Rights mencionava que um terço das cidades polacas – um espaço que se assemelha ao tamanho da Hungria – se declaram «zonas livres de ideologia LGBTQI» desde 2019. Assim, vê-se um crescimento do número de pessoas desta comunidade que querem abandonar as suas casas para «encontrarem situações relativamente mais seguras».

Entretanto, no final do mês passado, a União Europeia – da qual o país faz parte – condenou o aumento da quantidade de municípios com esta designação e adiantou que não apoiaria financeiramente esses territórios. «Os valores e direitos fundamentais da UE devem ser respeitados pelos Estados-Membros e pelas autoridades estatais. É por isso que os seis pedidos de geminação de cidades envolvendo autoridades polacas que adotaram resoluções de ‘zonas livres de ideologia LGBTI’ ou ‘direitos da família’ foram rejeitados», adiantou Helena Dalli, comissária da UE para a igualdade, no Twitter.