Cuidados a Ter Com as Encomendas Que Recebemos Em Casa Para Evitar Contágio

É seguro receber encomendas em casa, mas deve ter alguns cuidados. Por: Margarida Brito Paes Imagens: © D. R.

Numa altura em que a circulação nas ruas tem de ser evitada o mais possível, as compras online tornam-se a melhor alternativa. Hoje em dia tudo pode ser encomendado pela internet, chegando a nossas casas em poucos dias. Além das encomendas de bens, também a comida entregue em casa é hoje uma boa alternativa. O próprio Governo prevê que os restaurantes obrigados a fechar portas, possam continuar a cozinhar para fora, tendo inclusivamente facilitado a licença para este tipo de serviços.

Assim, a receção de vários tipos de bens em casa é a realidade de cada vez mais famílias. Mas será seguro, tendo em conta que o vírus se aloja em superfícies? Que cuidados devemos ter? Para nos responder a todas estas questões falámos com Ricardo Mexia, Presidente da ANMSP (Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública).

Apesar da suspensão da venda presencial, muitas lojas continuam a vender online e a entregar os seus produtos em casa, produtos esses que vão de roupa a comida. Nesta altura é seguro fazer compras online?

Sim, apesar das questões da contaminação das superícies, a evidência vai no sentido de que se houver uma higiene das mãos rigorosa e frequente, não haverá perigo de transmissão significativo. Isso é particularmente verdade em relação a algumas encomendas que podem demorar vários dias em transporte e que portanto ultrapassam a viabilidade do vírus (apesar de haver ainda alguma discussão em relação ao tempo em que o vírus continua viável nas diversas superfícies).

Que cuidados se devem ter ao receber uma encomenda em casa? Existe a hipótese da embalagem da encomenda estar contaminada?

A hipótese existe, mas é bastante improvável. Principalmente se as empresas de transportes respeitarem as orientações, ou seja, não existam trabalhadores sintomáticos a exercer as suas funções. Mas mesmo nesse cenário improvável, uma higienização das mãos adequada elimina esses riscos.

Existem procedimentos obrigatórios para as empresas que prestam serviços de entrega?

Está prevista a criação de orientações concretas para estes serviços, na medida em que parte das medidas previstas no Decreto-Lei do Conselho de Ministros apontam no sentido de diversas atividades económicas passarem ao regime de venda para fora (take away) ou entrega em casa (delivery). Estes procedimentos, além das medidas gerais (etiqueta respiratória, higienização das mãos, distanciamento físico) deverão incluir medidas de limpeza e desinfeção de todos os equipamentos, redução de contactos físicos (através de pagamentos online, por exemplo) ou a simplificação de procedimentos.

É feito algum tipo de controlo de saúde aos funcionários destas empresas, sejam a entregas de bens ou comida cofecionada?

Todas as empresas devem ter um plano de contingência que pode implicar esses cuidados. Essas medidas deverão se adequadas à atividade da empresa e portanto quem tem uma exposição particular ao público poderá ter medidas mais extensas.

Na confeção da comida para fora existe algum cuidado especial?

As empresas devem ter já planos de HACCP ( Hazard Analysis and Critical Control Point ou Análise de Perigos e Controlo de Pontos Críticos), e que assegurem todos os cuidados com a confeção dos alimentos. O consumo de alimentos (ainda que contaminados) não está descrito como uma via de transmissão frequente. E portanto os cuidados genéricos são, para já, o que está indicado.

Há algum tipo de comida que seja mais facilmente contaminável e que, por isso, se deva evitar pedir de fora?

Esta questão é conexa com a anterior. Não há uma resposta específica sobre riscos para o COVID, que sejam fora daquilo que são as recomendações gerais sobre segurança alimentar.