Como Deve Lavar e Higienizar As Máscaras Sociais de Tecido Não Certificadas

Ricardo Mexia, presidente da ANMSP, explica as diferenças nos cuidados entre máscaras caseiras e certificadas. Por: Inês Aparício Imagens: © Instagram @alyssainthecity.

Tão importante quanto manter a distância de segurança ou seguir a etiqueta respiratória, é cuidar das máscaras reutilizáveis. Fazê-lo solidifica a sua eficácia e, por isso, devem ser seguidos vários passos para garantir que estas são, realmente, um complemento de proteção. No entanto, estes não são necessariamente iguais quando falamos de máscaras caseiras ou das certificadas pelo CITEVE.

Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, esclarece que a lavagem dos elementos de proteção feitos em casa «não obedece às mesmas características que as aprovadas pelo Centro Tecnológico das Indústrias do Têxtil e do Vestuário». «As máscaras certificadas têm um número de lavagens limitado [cinco lavagens, segundo o CITEVE] que asseguram a capacidade de filtração e respirabilidade. Como nas caseiras isso é principalmente assegurado pelos filtros, essa questão não se coloca», garante, adicionando que estas «podem ser lavadas com a restante roupa, pelo menos 30 minutos a 60ºC». A Direção-Geral da Saúde acrescenta que as máscaras podem ser ainda lavadas à mão ou, na máquina, durante 10 minutos a 90ºC.

É de enfatizar que não deve ser utilizada lixívia na desinfeção das máscaras caseiras, «uma vez que é corrosiva para a máscara, bem como agressiva para as vias aéreas», como é referido na plataforma do Movimento #MascaraParaTodos. Além disso, estas apenas devem ser reutilizadas «após a lavagem, secagem e recolocação dos filtros» e, por esse motivo, «devemos transportar sempre uma máscara e filtros de substituição, dentro de um invólucro impermeável e fechado».

No mesmo site, é sublinhado que «a máscara não deve ser colocada próxima de máscaras sujas, nem partilhada, devendo ser armazenada num invólucro seco e fechado».

Fim de vida dos filtros

Ao contrário das máscaras certificadas, a vida dos elementos de proteção feitos em casa pode ser prolongada, desde que, no final de cada utilização – que, de acordo com a DGS, deve ser limitada a um período de quatro a seis horas ou assim que as máscaras estiverem húmidas -, os filtros caseiros sejam substituídos por novos. Já no que diz respeito aos comerciais, podem ou não ser reutilizados, consoante as instruções do fabricante. Caso possam ser novamente usados, devem ser «alvo de limpeza e desinfeção», frisa Mexia.

As máscaras aprovadas pelo CITEVE têm um nível de proteção testado e a sua eficácia é garantida, ainda que seja imprescindível seguir à risca as indicações dos fornecedores e desse entidade. O limite de cinco lavagens recomendado pelo Centro Tecnológico das Indústrias do Têxtil e do Vestuário prende-se com a capacidade de filtração e respirabilidade dos materiais utilizados, pelo que esse número deve ser respeitado.