#TOP2019: A Filha de José Mourinho e a Greve Geral no Desfile da Chanel

Tudo o que precisa de saber sobre o último desfile da Chanel. Por: Margarida Brito Paes Imagens: © Gtresonline e Imaxtree

Artigo original de 5 de dezembro de 2019

Virginie Viard  já nos tinha mostrado que o seu caminho na Chanel não se faz da mesma megalomania de Karl Lagerfeld. Acabaram-se os cenários do outro mundo e as viagens pelo mundo para mostrar as suas coleções especiais. Por isso, num sublinhar retumbante desta sua postura distante da do seu falecido mentor, Viard apresentou a coleção Métiers d’Arts, em Paris. Mais precisamente, no Grand Palais, a casa de sempre dos desfiles da Chanel. Mas se a segunda mulher à frente da Chanel se poupa efetivamente em excentricidades, o mesmo não se pode dizer no que toca a contratempos que tendem em atrapalhar os seus desfiles. Depois de uma invasão da passerelle na última estação, desta vez, foi uma greve geral que obrigou a alterações de calendário. Já começa a ser caso para dizer que Virgine Viard está enguiçada.

A greve que quase arruinou a lista de convidados

Paris e as greves, as greves e Paris, são um amor de longa data. Daqueles arrebatadores e imprevisíveis, que, quando chegam, levam tudo à frente. Esta quinta-feira, 5 de dezembro, assistimos a uma dessas demonstrações de amor dos franceses pelos direitos civis. A greve geral, em França, já batizou o dia de hoje como Quinta-Feira Negra. Não há escolas, transportes, hospitais, bombeiros e muitos outros serviços. Esta greve tem como causa de protesto a nova reforma das pensões.

Em Paris, 90% dos comboios foram cancelados e 11 linhas de metro não funcionam. Um caos para a mobilidade que obrigou a Chanel a alterar todos os seus planos. Tendo em conta esta limitações, o desfile foi remarcado para o dia anterior à greve, quarta-feira, 4 de dezembro. Ainda assim, acreditamos que, neste momento, o departamento de PR da Maison francesa esteja à beira de um ataque de nervos, ao tentar arranjar transportes para levar a imprensa internacional de volta a casa. Abençoada seja a internet que, nestes casos, permite que nenhuma notícia fique guardada na gaveta.

A cara portuguesa na fila da frente da Chanel 

Matilde Faria Mourinho, ou @matildefmf no Instagram, ou, ainda, a filha de José Mourinho, aka Special One, marcou presença no desfile da Chanel. Matilde, que terminou em 2018 uma licenciatura na London College of Fashion, mostra-se nas redes sociais por várias vezes com peças da Chanel. Esta não é a primeira vez que a jovem é uma das clientes da Maison convidadas para assistir ao desfile da Maison Francesa.

 

 

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An evening at 31 Rue Canbon ✨ #CHANELMetiersdArt

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Cinturas descaídas + casacos curtos = barrigas à mostra

A coleção Métiers d’Arts é apresentada uma vez por ano pela Chanel e o seu objetivo é celebrar o trabalhos dos vários ateliers que trabalham permanentemente para a Chanel. Assim, é nesta coleção que vemos brilhar especialmente os trabalhos de bordados e pedraria. Mas também os acessórios mais delicados, como as carteiras em forma de gaiola, que desfilaram no Grand Palais, esta quarta-feira.

 


Entre as silhuetas reinventadas por Viard, destaca-se uma: a Chanel que mostra a barriga. As saias deixaram cair as cinturas e os casacos deixaram subir as bainhas. O resultado? Barrigas à mostra a la 90’s. Esta silhueta surgiu nos mais diversos materiais. A proposta apareceu em coordenados que se prestam a um dia singelo, mas também noutros que foram pensados para os dias em que queremos dar nas vistas. Destacam-se ainda os estampados tie dye e o uso das malhas.

Chanel de Viard VS Chanel de Karl

Para esta coleção foram criados 71 coordenados, todos repletos de detalhes, mas, ainda assim, mais sóbrios que os habitualmente criados por Karl. Neste desfile, assistimos a um casamento entre o casual wear e o occasion wear. Quando olhamos para o desfile como um todo, pensamos mais em looks para festas de final de dia ou até mesmo para o dia-a-dia, se isolarmos as peças, do que em looks para a passadeira vermelha.

É como olhar para Festival de Cannes. A Chanel de Virginie é pensada para as chegadas de barco e premières particulares. Já a Chanel de Karl, era pensada para os holofotes das festas com passadeira vermelha. E, tal como o Festival de Cannes, também a Chanel é una, apesar de abarcar estas duas realidades.