Cenas de Sexo Poderão Ser Gravadas Com Familiares dos Atores Devido À Covid-19

É esta a sugestão da organização que representa cerca de 7.500 realizadores britânicos, a Directors UK. Por: Inês Aparício Imagens: © D. R.

Com o distanciamento social como palavra (e movimento) de ordem, os estúdios de gravação veem-se a par com novas regras. Enquanto regressam, lentamente, às filmagens, realizadores, produtores e atores vão-se adaptando a esta realidade, imaginando e colocando em prática alternativas para que o retorno ao trabalho seja em segurança. Quer isso signifique a utilização de manequins durante as cenas de sexo – como o The Bold and The Beautiful e Riverdale optaram por fazer -, a escolha de parceiros da vida real (como marid@s, namorad@s ou companheir@s) como duplos ou simplesmente a criação de ambientes que suscitem a imaginação dos espectadores, sugere a Directors UK.

Foi nesta quarta-feira, 19 de agosto, que a organização que representa 7.500 realizadores no Reino Unido publicou uma série de linhas orientadoras relativamente aos procedimentos a seguir durante a captação de cenas que envolvam nudez ou relações sexuais, durante a pandemia. Nestas, referem, por exemplo, a proposta do The Nordic Film Guide para a gravação de cenas íntimas com familiares dos atores, já implementada pelo programa The Bold and The Beautiful, quando é necessário mostrar toques no rosto ou outras partes do corpo.

Porém, são levantadas questões em relação a esta medida: «Será que os parceiros se irão sentir confortáveis ao ser levados para um estúdio repleto de estranhos para o único propósito de serem um objeto sexual?», salienta a Directors UK, que adiciona ainda a possibilidade de um aumento do risco para a restante equipa com o facto de trazerem outra pessoa que pode ser uma «potencial fonte de infeção». Além disso, «nem todos os parceiros poderão ser fisicamente semelhantes aos pares amorosos no ecrã», frisa.

Simplesmente, sem o sexo

Mas as sugestões vão mais adiante. Seguindo o caminho de películas gravadas nas décadas de 40 e 50, os realizadores devem reconsiderar o guião e perceber «se um ato físico precisa de ser mostrado» ou «adiado». «Poderão encontrar inspiração ao revisitar clássicos como It Happened One Night (1934) ou Casablanca (1943), alguns dos maiores romances alguma vez feitos e filmados sob o Hays Code, que proibia a representação do sexo no ecrã», aconselha a organização. «O que acontece até à cena íntima em si pode ser, por vezes, mais entusiasmante que a própria cena», completa.

Assim, indica múltiplos cenários opcionais para contornar o impedimento de aproximação: «em vez de representar uma cena íntima, tenham personagens a dizer o que fariam um ao outro», «talvez, as personagens possam fazer uma videochamada ou responder à simulação de sexo por telefone ou mensagens», «as personagens podem ser filmadas a ajeitar as suas próprias roupas ou a vestirem-se novamente depois de uma situação que indique o que aconteceu (em vez de o mostrar)», ou «podem mostrar uma porta de um quarto a fechar e deixar a ação para a imaginação dos espectadores».