Boohoo Acusada de Obrigar os Funcionários A Trabalhar Mesmo Estando Infetados

A marca já emitiu um comunicado relativo às denúncias da organização focada nos direitos dos trabalhadores. Por: Inês Aparício Imagens: © Boohoo.

As alegadas condições de trabalho precárias dos funcionários da Boohoo são, frequentemente, alvo de críticas por associações de defesa dos trabalhadores. E, em plena pandemia, isso não é exceção. A Labour Behind the Label – uma organização sem fins lucrativos que procura melhorar as circunstâncias em que os colaboradores exercem as suas profissões – acusou a marca de roupa online de colocar em risco os seus funcionários, obrigando-os a ir para as fábricas em Leicester, no Reino Unido, mesmo tendo contraído o novo coronavírus, avançou o Financial Times.

«Os trabalhadores estão a ser forçados a ir para os seus empregos, enquanto estão doentes com covid-19», declarou a instituição, à BBC, adicionando ter recebido relatórios que mostram a negação do pagamento aos funcionários que pediram para cumprir o isolamento social. A Labour Behind the Label declarou ainda que, segundo os mesmos documentos, diversas fábricas terão estado ilegalmente operacionais durante o confinamento. «As grandes marcas estão a priorizar o lucro. É desolador ver as grotescas desigualdades. Algumas pessoas lucram tanto, enquanto existem trabalhadores no fundo da pirâmide cujas vidas estão a ser colocadas em risco», frisou Meg Lewis, diretora de campanha da LBL, ao mesmo órgão de comunicação.

Foi assim que começaram as alegações de que a insígnia seria responsável pelo aumento de casos de covid-19 na cidade britânica, agora em isolamento do restante território, devido ao crescimento substancial do número de infetados na região. De acordo com o WWD, cerca de 75 a 80 por cento das fábricas que fornecem a Boohoo ficam em Leicester.

No entanto, a Public Health England garantiu que, na sua mais recente investigação, não foram encontradas razões óbvias por trás do pico de casos na cidade, nem «surtos explicativos em unidades de cuidados, hospitais ou processos industriais», salientou o Women’s Wear Daily.

A resposta da marca

Posteriormente, a Boohoo emitiu um comunicado relativo às acusações, não abordando, contudo, os supostos casos de covid-19 entre os seus funcionários. No documento publicado no seu site, esta sublinhou «não tolerar categoricamente qualquer incidente que comprometa o tratamento dos trabalhadores».

Esta revelou ainda ter «alterado significativamente o modo como» opera, de forma a garantir que seguem atentamente todas as normas apresentadas pelo Governo para «manter todos seguros». «Enquanto negócio, investimos fortemente de modo a assegurar que temos conhecimento e cumprimos as regras de isolamento, distância social e padrões de higiene, para garantir que cada funcionário da Boohoo não corre qualquer risco», esclareceu a marca. Esta adiantou, por fim, que irá investigar as acusações feitas pela organização.