A Escócia é o Primeiro País a Disponibilizar Produtos Menstruais Gratuitamente

O objetivo é combater a falta de acesso a produtos menstruais por mulheres em situações de pobreza. Por: Ana Margarida Fernandes Imagens: © Unspalsh/Erol.

O parlamento escocês votou esta terça-feira, 25 de novembro, unanimemente a favor da lei que prevê o acesso livre e gratuito a produtos menstruais como pensos higiénicos e tampões. Esta decisão significa que os produtos vão estar disponíveis em edifícios públicos, como escolas e universidades, sendo que as autoridades locais e as instituições de ensino vão ser responsáveis por assegurar estes produtos, sem qualquer custo. Esta decisão chega meses após os deputados terem demonstrado o seu apoio a esta medida, fazendo com que este passe a ser o primeiro país no mundo a concretizar este feito – marcando assim uma vitória para o movimento global que luta contra a falta de produtos menstruais para pessoas em situações de pobreza.

Esta decisão vem no seguimento da lei introduzida em Abril de 2019 pela legisladora Monica Lennon, cujo objetivo é eliminar a «pobreza menstrual». «A campanha foi apoiada por uma coligação ampla, incluindo sindicatos, organizações femininas e instituições de caridade», afirmou Monica. Depois do voto, frisou que a decisão era «um sinal para o mundo de que o acesso livre a produtos menstruais consegue ser alcançado». A deputada disse também que era razoável esperar uma adesão de, no mínimo, 20%, isto porque as estatísticas demonstram que quase 20% das mulheres na Escócia vivem em pobreza relativa. A primeira ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, também demonstrou o seu apoio, partilhando que estava orgulhosa de votar a favor da legislação histórica, que disse ser uma «política importante para mulheres e jovens».

A impossibilidade de acesso a produtos menstruais cresceu também durante a pandemia. Uma pesquisa feita, em maio, pela Organização Internacional de Caridade Infantil, demonstrou que quase um terço das mulheres no Reino Unido, com idades entre os 14 e os 21 anos, tiveram dificuldades económicas em aceder a estes produtos. Esta decisão é um passo importante para eliminar o preconceito que existe à volta deste assunto e tornar a saúde feminina mais relevante na agenda política.