Morreram 28 Vítimas de Violência Doméstica, 12 Tinham Feito Queixa do Homicida

O relatório compreende o período de 1 de janeiro a 12 de novembro de 2019. Por: Margarida Brito Paes Imagem: © D.R

Cinco mulheres, por mês, foram vítimas de violência extrema, em contexto de violência doméstica, segundo revela o relatório do Observatório de Mulheres Assinadas (OMA). Destas cinco, apenas duas sobreviveram mensalmente. Isto significa que, em Portugal, em 2019, morreram três mulheres por mês, vítimas de violência doméstica.

Feitas as contas, o somatório de mulheres mortas é de 28. Este número pode aumentar até ao final do ano e se, se mantiver o ritmo de crescimento deste crime, poderá chegar às 33 mulheres mortas. Aos femicídios consumados, juntamos agora outro valor assustador: foram 27 as tentativas de femícidio falhadas. O que significa que 55 mulheres correram um risco muito elevado de vida e metade não sobreviveu.

Das 28 mulheres mortas, no seio familiar, 12 já tinham apresentado queixa contra os seus homicidas.

Outros dados do relatório

O mesmo relatório revela que 53% dos homicidas mantinha uma relação de intimidade com as vítimas quando as matou. Já 21% dos assassinos era ex-companheiro da vítima e os 26% restantes mantinham outro tipo de relações familiares com as vítimas.

71% das mulheres foi morta em casa, sendo que metade das vítimas se encontrava inserida no mercado de trabalho. Também os femicidas se encontravam, na sua maioria, empregados. A maioria dos crimes aconteceu no distrito de Lisboa, tendo sido o mês de janeiro o que registou mais ocorrências.

Treze dos crimes foram praticados com uma arma de fogo e oito com armas brancas. Dos restantes, três mulheres foram espancadas até à morte, três estranguladas e uma asfixiada.

Medidas de coação

Nove dos agressores suicidou-se depois de matar a vítima. Quinze ficaram em prisão preventiva e dois foram internados em hospitais psiquiátricos.

Quanto a queixas anteriores aos crimes, 12 das vítimas tinham já apresentado queixa e tinham processos a decorrer. O que significa que, em 12 dos casos de violência doméstica decorridos em 2019, em Portugal, a morte foi mais rápida que a justiça.